Mercado
Proteção Veicular em Números: O Tamanho Real do Nosso Mercado
Quando se fala em proteção veicular, muita gente ainda pensa em algo pequeno, informal, "coisa de associação de bairro". A realidade é bem diferente. O setor de proteção veicular no Brasil já protege 4,5 milhões de veículos (FENABEN/EY-FenSeg), movimenta entre R$ 9 e R$ 11 bilhões por ano (FENABEN/EY-FenSeg) e emprega, direta e indiretamente, cerca de 280 mil pessoas (estimativa do setor).
Esses números não são chute. São dados de fontes oficiais e entidades representativas. E todo gestor de associação deveria conhecer de cor, porque eles mostram algo importante: a proteção veicular não é um nicho. É um mercado consolidado, com escala real e impacto social direto.
Um Setor Que Poucos Conhecem o Tamanho
A proteção veicular nasceu de uma necessidade real. No Brasil, mais de 70% dos automóveis e caminhonetes não têm nenhum tipo de seguro (CNseg/Fenacor). São motoristas que não conseguem pagar o seguro tradicional ou que simplesmente não são aceitos pelas seguradoras, seja pela idade do veículo, pelo CEP ou pelo perfil de risco.
Foi nessa lacuna que as associações de proteção veicular cresceram. Sem barulho, sem propaganda de TV, sem grande cobertura da mídia. Cresceram porque resolviam um problema concreto: dar proteção a quem o mercado formal deixava de fora.
O resultado? Um setor que hoje conta com 2.217 associações cadastradas na SUSEP (AAAPV, julho/2025), espalhadas por todos os estados do país. E esse número é apenas o das associações que se formalizaram no prazo da LC 213/2025. O universo total pode ser ainda maior.
Os Números Que Todo Gestor Deveria Conhecer
Vamos direto ao que interessa. Estes são os dados mais recentes e verificados do setor:
| Indicador | Dado | Fonte |
|---|---|---|
| Associações cadastradas na SUSEP | 2.217 | AAAPV/SUSEP (jul/2025) |
| Veículos protegidos | 4,5 milhões | FENABEN / EY-FenSeg |
| Faturamento anual | R$ 9 a 11 bilhões | FENABEN / EY-FenSeg |
| Empregos gerados | ~280 mil (diretos e indiretos) | Estimativa do setor |
| Frota total do Brasil | 123,97 milhões de veículos | SENATRAN (2024) |
| Automóveis sem seguro | ~70% | CNseg / Fenacor |
| Roubos e furtos (2024) | 344.596 ocorrências | 19º Anuário de Segurança Pública |
Pra ter uma noção de escala: o setor de seguros como um todo arrecadou R$ 435,56 bilhões em 2024 (CNseg), considerando apenas seguros (sem previdência e capitalização). Isso significa que a proteção veicular, com seus R$ 9 a 11 bilhões, representa algo entre 2% e 2,5% do mercado total de seguros. Parece pouco? Pense de outra forma: esse faturamento é maior que o de muitas seguradoras tradicionais de médio porte.
Por que os números variam?
A FENABEN declara que o setor movimenta cerca de R$ 11 bilhões por ano. O estudo da EY/FenSeg, que analisou apenas associações formais (antes da regulamentação), estimou entre R$ 7,1 e R$ 9,4 bilhões. A diferença existe porque muitas associações operavam na informalidade. Com a regulamentação da LC 213/2025, esses dados tendem a ficar mais precisos.
Quem São os Protegidos
O associado típico da proteção veicular tem um perfil muito claro. É o motorista que as seguradoras tradicionais não querem atender, ou que cobram tão caro que o seguro se torna inviável.
Classe social e renda
A maioria dos associados pertence às classes C, D e E, com renda familiar entre 2 e 6 salários mínimos. São pessoas para quem perder o carro significa perder o instrumento de trabalho. O rateio mensal da associação cabe no orçamento de uma forma que o seguro tradicional não cabe.
Perfil do veículo
Veículos populares com mais de 8 anos de uso dominam as carteiras das associações. É o Gol, o Uno, o Celta, a Strada. Carros que as seguradoras consideram "antigos demais" para oferecer uma apólice com preço competitivo.
Perfis específicos
- Motoristas de aplicativo (Uber, 99): usam o carro o dia inteiro, o que eleva o risco na visão das seguradoras. Nas associações, isso não altera o rateio.
- Caminhoneiros autônomos: dependem do veículo para sobreviver. O roubo de um caminhão pode significar o fim da atividade. Seguradoras tradicionais cobram valores proibitivos pelo risco de roubo de carga.
- Entregadores: motociclistas que fazem delivery enfrentam as mesmas barreiras. E considerando que 98% das motos no Brasil não têm seguro (CNseg), a associação é muitas vezes a única opção.
Por que essas pessoas escolhem a associação? Por quatro motivos principais: não há análise de perfil que encarece o preço (como idade, CEP ou tempo de habilitação), aceita-se quem tem restrições no SPC/Serasa, o pagamento de sinistros menores é ágil, e muitas associações oferecem benefícios extras como assistência 24h, telemedicina e clubes de descontos.
De Onde Vem o Crescimento
A proteção veicular não cresceu de forma uniforme pelo país. Existe uma concentração geográfica clara, com um polo principal e regiões de expansão acelerada.
Minas Gerais: o berço do setor
Minas Gerais concentra mais de 40% das grandes associações nacionais. Não é coincidência. O estado foi pioneiro na organização do setor (a própria FENABEN nasceu em Minas, em 2014) e tem uma cultura associativista forte. As maiores associações do país, como APVS e Gol Plus, operam a partir de MG.
O dado de roubos e furtos ajuda a entender o contexto: Minas Gerais foi o terceiro estado com mais ocorrências em 2023, com 27.697 casos (19º Anuário de Segurança Pública), atrás apenas de São Paulo (131.729) e Rio de Janeiro (38.825).
São Paulo e Rio de Janeiro
Os dois maiores mercados consumidores do país também são polos importantes para a proteção veicular. São Paulo lidera em números absolutos de roubos e furtos, o que alimenta a demanda. O Rio de Janeiro segue a mesma lógica: alta criminalidade veicular e custo elevado do seguro tradicional empurram motoristas para as associações.
A expansão pelo Norte e Nordeste
A fronteira de crescimento do setor está nas regiões Norte e Nordeste. O movimento é puxado por dois fatores: o aumento das frotas de logística regional (caminhões e vans que fazem entregas em cidades menores) e o crescimento da frota de motocicletas nessas regiões.
Em muitas cidades do interior do Nordeste, a moto é o principal meio de transporte. E como vimos, 98% das motos brasileiras não têm nenhum tipo de proteção. Esse é um mercado praticamente virgem para as associações.
Segmentos fortes
Além da distribuição geográfica, vale destacar que o setor é especialmente forte em caminhões e frotas de transporte de carga. O modelo de rateio funciona bem para esse segmento porque as seguradoras tradicionais evitam cobrir veículos de carga pelo alto risco de roubo. As associações preenchem essa lacuna com soluções que combinam proteção, rastreamento e recuperação de veículos.
70% da Frota Sem Proteção: A Oportunidade
Esse talvez seja o dado mais impressionante de todo o setor. A frota brasileira bateu recorde em 2024: 123,97 milhões de veículos (SENATRAN/Ministério dos Transportes). Foram 4,75 milhões de veículos novos em um ano, um crescimento de 4%.
Desse total, considerando apenas automóveis e caminhonetes, aproximadamente 50 milhões de veículos não têm seguro nem proteção de nenhum tipo. São 50 milhões de motoristas rodando todos os dias com risco zero de cobertura se algo acontecer.
Hoje, a proteção veicular cobre cerca de 7% da frota de automóveis e caminhonetes (FENABEN). O seguro tradicional cobre aproximadamente 28% (CNseg). Juntos, proteção veicular e seguro tradicional atendem cerca de 35% da frota. Os outros 65% a 70% estão completamente descobertos.
Traduzindo: mesmo que a proteção veicular dobrasse de tamanho, ainda sobraria mercado. E com a regulamentação da LC 213/2025, o setor ganha credibilidade institucional, o que pode abrir portas para parcerias com bancos, redes de varejo automotivo e até seguradoras.
O cenário de criminalidade reforça a demanda
Em 2024, o Brasil registrou 344.596 ocorrências de roubos e furtos de veículos (19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública). Foram 217.921 furtos e 126.675 roubos. Quem está entre os 50 milhões de motoristas sem proteção e passa por uma situação dessas, perde o veículo e não recebe nada. Essa realidade alimenta a busca por proteção acessível.
O Que Esses Números Significam pra Você
Se você é gestor de uma associação de proteção veicular, esses números contam uma história clara: o setor que você ajudou a construir é grande, é relevante e tem espaço de sobra para crescer.
Mas os números também mostram outra coisa. Um setor desse tamanho (R$ 9 a 11 bilhões, 4,5 milhões de pessoas protegidas, 280 mil empregos) não poderia continuar sem regulamentação. A LC 213/2025 não veio para acabar com a proteção veicular. Veio para dar ao setor o reconhecimento que o tamanho dele já exigia.
Três pontos práticos para levar dessa análise:
- Use esses dados nas suas reuniões. Quando alguém minimizar o setor, mostre os números. São 2.217 associações cadastradas na SUSEP, 4,5 milhões de veículos protegidos e um faturamento que rivaliza com seguradoras tradicionais.
- Olhe para o mercado potencial. Com 50 milhões de veículos sem proteção, a pergunta não é se há espaço para crescer. É como capturar essa demanda. A regulamentação traz credibilidade, e credibilidade atrai associados.
- Acompanhe os prazos de adequação. A oportunidade é enorme, mas só vai ser aproveitada por quem estiver regularizado. Quem não se adequar à nova regulamentação nos prazos vai ficar de fora.
O setor de proteção veicular não é mais "aquele segmento alternativo". É uma indústria de bilhões que protege milhões de brasileiros. E agora, com a regulamentação, tem tudo para crescer de forma organizada, transparente e sustentável.
Fontes: FENABEN; EY-FenSeg; AAAPV/SUSEP; CNseg; Fenacor; SENATRAN/Ministério dos Transportes (2024); 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
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