Tecnologia
Sistemas de Gestão: Como a Tecnologia Ajuda Sua Associação na Nova Lei
A LC 213/2025 trouxe exigências que mudam a rotina de qualquer associação de proteção veicular. Reserva de dinheiro para sinistros futuros, relatórios para a SUSEP, governança com separação de funções, auditoria externa. Tudo isso precisa funcionar de forma organizada, rastreável e com números confiáveis.
E aqui está o ponto: quem já opera com um bom sistema de gestão está gastando muito menos para se adequar. O grosso dos controles que a lei exige já está automatizado. Quem ainda depende de planilha, por outro lado, vai precisar correr.
A Planilha Não Aguenta Mais
Muita associação cresceu gerenciando tudo em planilhas. Rateio no Excel, controle de associados em uma tabela, sinistros em outra. Funcionava quando a operação era menor e ninguém fiscalizava.
Agora, com 2.217 associações cadastradas na SUSEP (AAAPV, julho/2025), o cenário mudou. A SUSEP vai pedir relatórios periódicos, comprovação de reservas e documentação de governança. A planilha não tem trilha de auditoria, não calcula provisão atuarial, não gera relatório padronizado e não controla quem acessou ou alterou cada dado.
A planilha não resolve o que a nova lei exige
A LC 213/2025 exige provisões técnicas (reserva de dinheiro para sinistros futuros), relatórios para a SUSEP, segregação de funções e auditoria externa. Nenhum desses controles funciona de verdade em uma planilha. Sem sistema, a associação vai depender de processos manuais sujeitos a erro, e qualquer erro vira problema com o regulador.
Não é exagero: a multa por descumprimento pode chegar a R$ 35 milhões, triplicável em caso de reincidência, até R$ 105 milhões (LC 213/2025). E os diretores respondem pessoalmente. A margem para erro diminuiu.
O Que Um Bom Sistema Faz por Você
Um sistema de gestão especializado para proteção veicular não é um ERP genérico adaptado. É uma plataforma construída para o dia a dia da associação, com módulos que cobrem toda a operação: do primeiro contato com o associado até o pagamento do sinistro.
O que um sistema especializado já automatiza
- Rateio automático: cálculo mensal, geração de boletos, cobrança por Pix e cartão de crédito, controle de inadimplência.
- Gestão de associados: cadastro completo, histórico de sinistros, documentação digitalizada, comunicação por WhatsApp e e-mail.
- Relatórios para a SUSEP: demonstrações financeiras, balancetes e informações sobre sinistralidade no formato que o regulador exige.
- Controle de acessos: cada usuário tem permissões definidas (quem aprova, quem consulta, quem altera), o que facilita a separação de funções exigida pela lei.
- Trilha de auditoria: registro automático de quem fez o quê e quando, essencial para a auditoria externa obrigatória.
No mercado brasileiro, os ERPs verticais mais conhecidos para o setor são o Hinova e o SGA. Cada um tem suas particularidades, mas o conceito é o mesmo: automatizar o que antes era manual e garantir que a operação esteja organizada para a fiscalização.
Para quem está avaliando a questão financeira da adequação, nosso artigo sobre quanto dinheiro sua associação precisa ter em caixa complementa bem essa visão.
Vistoria Digital: O Fim das Fraudes
A vistoria de entrada é um dos processos mais críticos de qualquer associação. É nela que você avalia o estado do veículo antes de aceitar o associado. Quando feita só no papel, com fotos enviadas sem controle, as fraudes aparecem: fotos antigas, veículos com danos escondidos, placas clonadas.
A vistoria digital resolve isso com tecnologia:
- Câmera do celular com app próprio: o associado ou o vistoriador tira as fotos pelo aplicativo da associação. As imagens são capturadas em tempo real, sem possibilidade de enviar fotos antigas.
- Inteligência artificial para detectar danos: o sistema analisa as fotos automaticamente e identifica riscos, arranhões e danos pré-existentes que poderiam virar sinistro falso depois.
- Cruzamento com o SENATRAN: a placa e o chassi do veículo são verificados contra a base da Secretaria Nacional de Trânsito. Veículos clonados, com queixa de roubo ou com pendências são barrados na hora.
- Geolocalização e metadados: cada foto registra onde e quando foi tirada. Isso impede que alguém envie fotos feitas em outro local ou em outra data.
O resultado prático: redução drástica de fraude documental. A associação aceita menos risco ruim, e isso se reflete diretamente no rateio. Menos fraude significa menos sinistro, que significa rateio mais justo para todos os associados.
Reserva Atuarial em Tempo Real
Esse é um dos pontos mais técnicos da nova lei, e também um dos mais importantes. A LC 213/2025 exige que toda associação mantenha provisões técnicas. Em linguagem simples: reserva de dinheiro para cobrir sinistros futuros.
São dois tipos principais:
- IBNR (sinistros que já aconteceram, mas ninguém avisou ainda): o associado bateu o carro na terça, mas só comunicou na segunda seguinte. A associação precisa ter dinheiro reservado para esses casos, mesmo antes do aviso.
- PSL (sinistros pendentes de pagamento): o associado já avisou, a regulação está em andamento, mas o pagamento ainda não saiu. Esse valor precisa estar separado.
Calcular essas reservas exige dados históricos de sinistralidade, projeções estatísticas e atualização constante. Um atuário pode fazer isso, mas o custo é alto e o cálculo precisa ser refeito todo mês. Sistemas de gestão especializados, como o Intellaris, já calculam a reserva atuarial em tempo real, atualizando os valores conforme novos sinistros entram e os antigos são pagos.
Vantagem de quem já usa sistema
Associações que já operam com plataformas especializadas têm o histórico de sinistralidade organizado e acessível. Quando a SUSEP pedir a comprovação das reservas, basta gerar o relatório. Quem opera no manual vai precisar levantar anos de dados, organizar, validar e contratar um atuário para montar tudo do zero.
Sinistros em Minutos, Não em Dias
O processo de sinistro sempre foi o calcanhar de Aquiles da proteção veicular. O associado avisa, manda fotos, espera o perito, espera a aprovação, espera o pagamento. Dias ou semanas de espera. Cada dia de demora é um dia de insatisfação.
A tecnologia encurtou isso de duas formas:
Aprovação rápida de sinistros simples
Para casos de baixa complexidade (para-choque amassado, vidro trincado, retrovissor quebrado), o sistema usa inteligência artificial para analisar as fotos do dano, comparar o orçamento da oficina com tabelas de preço de mercado e aprovar o reparo automaticamente. Sem perito físico, sem espera. Em alguns sistemas, esse processo leva minutos.
Chatbots no WhatsApp, 24 horas por dia
O associado abre o WhatsApp, envia a mensagem, e o chatbot orienta: pede as fotos, registra o sinistro, aciona o guincho e manda atualizações automáticas sobre o andamento. Sem fila de call center, sem horário comercial, sem precisar de um atendente para cada ligação.
O impacto vai além da satisfação do associado. Com sinistros resolvidos mais rápido, a associação reduz o custo fixo de call centers e equipe de regulação. E para a nova lei, ter um processo de sinistro organizado e documentado é parte do que a SUSEP vai avaliar na fiscalização.
Como Escolher o Sistema Certo
Nem todo sistema serve para toda associação. O tamanho da operação, o número de associados, os tipos de veículo protegidos e o orçamento disponível influenciam na escolha. Mas alguns critérios são universais:
- É especializado no setor? Um ERP genérico não vai ter módulo de rateio, vistoria digital ou cálculo de reserva atuarial. Procure plataformas construídas para proteção veicular.
- Gera relatórios para a SUSEP? A adequação à nova lei exige relatórios específicos. Se o sistema não gera, você vai precisar montar manualmente, o que anula boa parte da vantagem.
- Tem controle de acessos e trilha de auditoria? A lei exige separação de funções (quem decide, quem executa, quem fiscaliza). O sistema precisa refletir isso com perfis de acesso diferentes e registro de todas as ações.
- Calcula reservas atuariais? Esse módulo evita a necessidade de contratar um atuário externo para cada atualização mensal. Nem todos os sistemas oferecem isso.
- Integra cobrança automatizada? Pix, cartão de crédito, boleto: quanto mais canais de cobrança, menor a inadimplência. E menor a inadimplência, mais saudável o fundo de rateio.
- Tem suporte para vistoria digital? Se o sistema não oferece vistoria pelo celular com geolocalização e cruzamento de dados, você vai precisar de uma ferramenta separada.
Converse com outras associações do setor. Peça demonstração. Teste com uma operação pequena antes de migrar tudo. E lembre: o custo do sistema se paga com a redução de fraudes, a diminuição de inadimplência e o tempo que você economiza para se adequar à nova lei.
Comece Agora, Gaste Menos Depois
A adequação à LC 213/2025 não é opcional. Os prazos estão correndo e a SUSEP já está fiscalizando. A diferença entre gastar pouco e gastar muito está na organização: quem já tem processos digitais vai adaptar o que existe. Quem está no manual vai precisar construir tudo do zero.
Se sua associação ainda opera com planilhas, a primeira decisão prática é escolher um sistema. Não precisa ser o mais caro nem o mais completo. Precisa ser um que cubra o básico: rateio, sinistros, relatórios e controle de acessos.
Se já usa um sistema, verifique se ele tem os módulos que a nova lei exige: reserva atuarial, relatórios SUSEP, trilha de auditoria. Se não tem, converse com o fornecedor sobre atualizações ou avalie alternativas.
Resumo prático
- Planilha não atende mais as exigências da LC 213/2025.
- Sistemas especializados automatizam rateio, reservas, vistoria e relatórios.
- Vistoria digital reduz fraude e melhora o rateio para todos.
- Reserva atuarial em tempo real evita surpresas com a SUSEP.
- Sinistros resolvidos em minutos reduzem custo e melhoram a satisfação.
- Escolha um sistema especializado no setor, não um ERP genérico.
Para entender todas as exigências da nova lei, leia Nova Lei da Proteção Veicular: O Que Muda. E para organizar os prazos de adequação, confira nosso cronograma prático.
Fontes: LC nº 213/2025; Resolução SUSEP nº 49/2025; Resolução CNSP nº 483/2025; AAAPV; Circular SUSEP nº 635/2021 (Open Insurance).
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